Eriksholm: The Stolen Dream é um jogo de ação furtiva, com foco na resolução de puzzles de ambiente para superar os obstáculos e avançar pelo cenário de cada capítulo. É um título AA, produzido pelo estúdio sueco River End Games, fundado em Gotemburgo por Anders Hejdenberg, conhecido por trabalhar em Battlefield 2: Modern Combat na sua passagem pela DICE. O estúdio é pequeno, com apenas 19 colaboradores, mas com elevada experiência, tendo trabalhado em jogos como Battlefield, Little Nightmares, Mirror’s Edge e Unravel.
Eriksholm, que dá nome ao jogo, é o nome da cidade fictícia onde se passa a ação. O estúdio inspirou-se nas cidades escandinavas do início do século 20, tais como Gotemburgo, Estocolmo e Malmo. A arquitetura da cidade teve como inspiração o filme Kiki’s Delivery Service de Hayao Miyazaki e o seu Studio Ghibli. No filme animado era mostrada a arquitetura sueca de forma caprichosa e grandiosa. Eriksholm apresenta assim um misto entre familiaridade com um toque fantástico.
Quanto ao jogo em si, trata-se de uma aventura narrativa cinematográfica baseada em ação furtiva. A capacidade de passar despercebido entre os inimigos, sejam policiais ou seguranças da cidade liderada por um ditador, é a principal mecânica. O jogo apresenta uma perspetiva isométrica e bem pode ser descrito como um cruzamento entre Commandos e A Plague Tale. Duas excelentes referências, mas numa experiência totalmente diferente das mesmas.
O que é mais interessante é que o estúdio mostra diferentes partes da cidade, com destaque nas nuances entre classes sociais. Das zonas pobres, onde os telhados abrigam muitos habitantes e crianças órfãs, aos bairros socialmente mais ricos.
A equipa da River End Games é pequena, mas isso não a impediu de criar um jogo AA com excelentes valores de produção. As cut scenes narrativas são excelentes, com transições para o gameplay em muitas situações. E a narrativa agarra o jogador do início ao fim. A protagonista chama-se Hanna, que tem como objetivo encontrar o seu irmão desaparecido. Tudo começa com a polícia a invadir a casa da protagonista à procura do jovem, mas Hanna foge para o procurar. Está dado o mote para tudo aquilo que se espera até ao fim da aventura, fugir, passar despercebido e nunca ser apanhado. Um verdadeiro jogo de ação furtiva, com algumas reviravoltas narrativas muito bem-vindas.
Ao longo da aventura vão juntar-se mais duas personagens, Alva e Sebastian. Todas as três têm uma habilidade diferente e um papel a ultrapassar os puzzles e desafios. Hanna tem a capacidade de se esgueirar por exaustores nos edifícios, além de disparar dardos soporíferos para neutralizar inimigos. Alva consegue escalar canos de escoamento da chuva para alcançar os telhados. E utiliza uma pedra para distrair inimigos ou partir lâmpadas para tornar o local escuro. Por fim, Sebastian, é o único que consegue nadar para atravessar os canais, assim como se aproximar por trás dos inimigos e partir-lhes o pescoço.
O estúdio vai adicionando as personagens ao longo da aventura, não apenas no contexto da narrativa, como estes elevam o desafio dos puzzles. Nos níveis mais complexos terão de combinar as habilidades das três personagens para superar os obstáculos e inimigos, além de os guiar por caminhos disponíveis pelas suas próprias habilidades. Pelo caminho há diversos itens colecionáveis para recolher, uns requerem alguma habilidade tática, outros estão em locais secretos para encontrar. Isto numa aventura que tem uma duração de cerca de 10 horas, num ritmo consistente, a resolver puzzle atrás de puzzle.
O som e as melodias de Eriksholm: The Stolen Dream são elementos centrais na sua identidade cinematográfica. A banda sonora acompanha cada momento com precisão emocional, enquanto o design de som, desde o murmúrio das ruas ao comportamento dos guardas, reforça a tensão da ação furtiva. O voice acting é de grande qualidade e contribui para a imersão.