Pokémon Legends ZA é um jogo medíocre que não conseguimos parar de jogar

É para apanhar todos, outra vez?

Resumo deste artigo

Pokémon Legends ZA é mais um capítulo tecnicamente pobre, narrativamente aborrecido e limitado no seu mundo. Ainda assim, o colecionismo continua a exercer um apelo inexplicável que nos prende durante dezenas de horas.

Pokémon é um fenómeno único que não consigo compreender na indústria dos videojogos. Ainda não vi um fã que não se queixe do quão maus são os mais recentes jogos da série, mas são os mesmos que continuam a comprar no primeiro dia. Então mas se continua a vender, porque razão a GameFreak e a Pokémon Company deveriam investir para melhorar a experiência?

Com todo o distanciamento que costumo colocar na série, jogando a espaços as novidades, dei por mim a ultrapassar as 50 horas de jogo na reta final da campanha narrativa, no momento em que escrevo este texto. Mas é na sua simplicidade que me parece estar o apelo ao jogo. Nós só queremos apanhar todos Pokémon e preencher o Pokedex, mas o jogo tende a oferecer diálogos narrativos, muitas vezes de levar ao bocejo. Os longos diálogos, missões repetitivas e a sua história não são os pontos fortes, mas sim o colecionismo, a meu ver. 

É uma aventura sem charme, sem vida, numa cidade que está cheia de gente estática, que interage de forma breve se falarmos com eles. O palco escolhido é Lumiose City, na região de Kalos, uma cidade que os fãs conhecem do jogo Pokémon X/Y. Quanto a mim, sei que é inspirada diretamente na cidade de Paris. 

O colecionismo é realmente apelativo, perceber onde estão os monstrinhos nas zonas selvagens, que diga-se, são muito pequenas. A própria cidade parece claustrofóbica, tão minúscula que é, ajudado pelo facto de podermos fazer fast travel em qualquer ponto de interesse, café ou zona selvagem. 

Apanhar os Pokémon nas regiões selvagens obedece a algumas regras básicas, tais como encontrar raças que apenas aparecem de noite ou de dia, a chover, ou mediante outras condições especiais. O mesmo para as evoluções, umas basta atingirem um nível, outras precisam de ter um objeto nas mãos, outras é preciso enviar a um amigo para trocar, uma forma de incentivar os jogadores a fazerem trocas online. 

Em vez de termos os habituais ginásios para conquistar, temos um ranking geral, começando de Z para A. Para tal temos de conquistar pontos em combates noturnos contra outros treinadores. O objetivo é amealhar o mínimo de pontos pedidos para desbloquear o passe e enfrentar outro titular à promoção. É uma forma interessante de progredir na história, embora se torne bastante repetitivo ao longo da aventura. Também será necessário perseguir os mega Pokémon rebeldes, que estão fora de controlo. 

Para as mega evoluções, neste título, estas conseguem-se através de braçadeiras equipáveis por certos Pokémon e ativar durante a batalha. Esta é regulada por uma barra que enche com ataques especiais, durante um tempo enquanto é usada para golpes poderosos. Terão de derrotar outros Mega Pokémon para obter essas mesmas abraçadeiras ou em outras condições especiais. 

De salientar as batalhas, que são realizadas em tempo real. As habilidades têm cooldowns para voltar a usar e gostei bastante da dinâmica, da combinação das quatro habilidades ativas, juntamente com os seis Pokémon que podemos alternar. Pena que não permita utilizar itens durante a batalha, tais como curas ou boosts e debuffs. Outra novidade bem-vinda é que agora o treinador também pode ser atacado e com isso perder o combate. Os combates são mais simples e menos estratégicos do que seriam por turnos, em que teríamos tempo para pensar nos ataques. Aqui é spammar as habilidades do Pokémon e trocar de elemento, mediante os que entram na arena de combate. 

O Pokédex inicial conta com 230 Pokémon, estando prometidas mais para futuras expansões. Podem trocar todos eles com amigos e completar rapidamente a lista, sendo esse um dos principais interesses do jogo. No geral, acho a história super aborrecida, dando vontade de saltar os diálogos, o design da cidade é simplista e desinteressante, sobretudo pequeníssima. E detesto a exploração vertical, onde temos de encontrar as passagens para subir quando temos encontros nos telhados dos edifícios. 

Para as batalhas online, o estúdio criou o Z-A Battle Club, um formato de batalhas frenéticas até quatro jogadores, vencendo aquele que eliminar mais Pokémon no tempo disponível. Também o progresso nos rankings de Z a A são feitos a partir de um sistema de tickets onde de noite certas partes da cidade se transformam num hub de combates entre treinadores. Ao vencer combates e acumular com os objetivos de cartas recolhidas pode somar esses pontos para obter o bilhete de acesso ao combate para a subida de ranking. 

Podem ainda encontrar uma centena de missões secundárias dadas por NPCs no mapa, incluindo combates diretos ou com determinado Pokémon, encontrar outras criaturas ou outros pedidos especiais. Não são divertidos, mas podem ter recompensas interessantes se as completarem.

Conclusão

No geral trata-se de um jogo medíocre, o que não entendo é que estive quase 50 horas de volta dele para acabar a história. Há um certo apelo, não apenas nostálgico, mas no colecionismo. E apenas numa semana, o jogo vendeu quase 6 milhões de cópias no mundo inteiro. Com esta resposta com a carteira, como dizer à GameFreak para melhorar todos os aspetos do jogo?

Halo: Campaign Evolved [Ligar API depois]

6

Pontos Positivos

  • Colecionismo viciante, com regras de captura simples mas eficazes
  • Batalhas em tempo real com boa dinâmica
  • Sistema de rankings Z‑A é uma alternativa interessante aos ginásios tradicionais
  • Mega evoluções com novas mecânicas de ativação e gestão de barra
  • Pokédex inicial generoso, com 230 Pokémon e promessa de expansões

Pontos Negativos

  • História aborrecida, diálogos longos e pouco interessantes
  • Lumiose City sem vida, pequena, claustrofóbica e com NPCs estáticos
  • Exploração vertical frustrante e mal desenhada
  • Regiões selvagens demasiado pequenas e repetitivas
  • Missões secundárias repetitivas e pouco inspiradas

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