Halo nasceu na Bungie, estúdio fundado em 1991 e conhecido antes do sucesso da série, sobretudo por jogos para o Macintosh, como a série Marathon. No final dos anos 1990, a Bungie estava a desenvolver Halo como um projeto para PC e nem sequer estava previsto ser um FPS, mas sim um jogo de estratégia táctica, na linha da sua série Myth, que mais tarde iria inspirar Halo Wars. A Microsoft adquiriu o estúdio sediado em Seattle em 2000, ajudando a transformar Halo no formato que tão bem conhecemos, reposicionando-o como uma das grandes apostas da primeira Xbox.
Halo: Combat Evolved chegou em 2001 como título de lançamento da consola e acabou por se tornar muito mais do que um exclusivo de arranque. Foi o jogo que ajudou a definir a identidade da Xbox, com o universo Halo a consolidar-se nas últimas duas décadas e a transformar Master Chief na mascote simbólica do ecossistema.
A relação entre a Bungie e a Microsoft terminou em 2007, mas a Microsoft reteve os direitos sobre a propriedade intelectual de Halo. Depois da saída da Bungie, a continuidade da série ficou nas mãos da 343 Industries, estúdio criado pela Microsoft em 2009 precisamente para assumir o futuro da série. Em 2024, a 343 Industries passou a chamar-se Halo Studios e essa mudança veio acompanhada de uma alteração estratégica importante: a série deixou o motor Slipspace (que alimentou Halo Infinite) para trás e passou a utilizar Unreal Engine 5.
O novo remake Halo: Campaign Evolved é o primeiro jogo de Halo construído em Unreal Engine 5. Todos os cenários estão agora mais detalhados, sobretudo os ambientes exteriores, como as missões na praia e nas áreas abertas, construídos para combates com veículos. Um dos capítulos começa num pântano de noite, durante uma tempestade e é visualmente impressionante. Fica a sensação que este remake pretende avaliar a capacidade do motor para o futuro da série. Obviamente que nota-se também que alguns dos cenários parecem demasiado familiares, semelhante a outros títulos que recorrem aos mesmos assets do motor.
Ao longo dos anos, desde a estreia do título original, a Microsoft lançou diferentes versões de Halo, incluindo a adaptação para PC em 2003, a versão Anniversary em 2011 para a Xbox 360, que depois sairia na Xbox One em 2014 na Halo: The Master Chief Collection. Esta versão Anniversary também saiu no PC em 2020. Isto quer dizer que o título original foi-se mantendo presente nas duas décadas e é por isso, que este verdadeiro remake poderá não ser realmente apelativo para quem tem vindo a matar saudades.
De notar que a chegada à PlayStation 5 tem de ser apontada como um sinal da mudança de estratégia da Microsoft. As três versões, PC, PS5 e Xbox Series X|S garantem ainda cross-play e progressão partilhada, assim como suporte cooperativo online para quatro jogadores em todas as plataformas.
O motor Unreal 5 adiciona-lhe visuais obviamente mais detalhados e atualizados, com suporte para resolução 4K. As animações e sequências cinemáticas foram atualizadas, muitas das vozes das personagens foram regravadas. Obviamente que os fãs não vão esquecer a excelente banda sonora, um dos pontos fortes de toda a série, composta por Martin O’Donnell e Michael Salvatori nos tempos da Bungie. A nova versão apresenta os temas remasterizados, mantendo-se totalmente fiel ao original.
O jogo é bastante familiar, para o bem e para o mal. De destacar os controlos mais modernos, assim como os movimentos mais fluidos. Master Chief herda também nove armas adicionais, introduzidas nos jogos seguintes da série. De salientar que o gunplay é excelente, a sensação de disparo é muito satisfatória, com praticamente todas as armas, mas sobretudo as dos Spartan, como as metralhadoras e caçadeiras.
Para que os fãs não se “queixem” de que se trata apenas de um remake, o estúdio criou algum conteúdo original, nomeadamente um prólogo composto por três novas missões, protagonizado por Master Chief e o Sgt. Johnson, com cerca de mais três horas de jogo. A história não é nada de especial, mas tem novas cut scenes e está recheada de ação, do início ao fim. Os colecionáveis das Skulls podem ser procurados pelos níveis, entre outros detalhes.
No seu lançamento, Halo ajudou a afirmar o género FPS nas consolas, numa altura em que ainda estava muito vinculado ao rato e teclado do PC. Mas desde então, o género evoluiu e apesar de continuar divertido, nota-se o peso da idade no design geral dos mapas. As missões têm demasiado backtracking, muitas áreas estão vazias e povoadas pelos mesmos inimigos de sempre, os Covenant. Problemas como save points um pouco aleatórios, ora obrigando a percorrer um bom caminho até ao ponto em que morremos, ou este a disparar mesmo em cima de um confronto onde mal se faz respawn a personagem é atingida mortalmente.