Battlefield 6 recupera ambição narrativa

Destruição massiva.

Resumo deste artigo

Num ano em que a campanha de Call of Duty marcou passo, a Electronic Arts aposta todas as fichas numa narrativa intensa, antes de enviar os soldados virtuais para o campo de batalha online.

A Electronic Arts lançou Battlefield 2042 em 2021 para aproveitar as capacidades das consolas da atual geração. Mas a necessidade de lançar nas máquinas anteriores limitou o trabalho da DICE e a sua tecnologia de destruição. Foi também adicionado um elemento que parecia divertido no papel e visualmente espetacular, os ciclones das condições meteorológicas extremas. Mas acabou por ser um elemento criticado, desvirtuando as batalhas online, que sempre foi o pilar da série. 

Mas foram cometidos muitos outros erros, os bugs acumularam-se e os fãs notaram a falta de funcionalidades de antigos títulos, além das mudanças de gameplay. Foi dos jogos com as piores avaliações dos jogadores e esteve longe do sucesso esperado. 

Mas Battlefield é um dos pilares da Electronic Arts e para o novo capítulo foram feitas mudanças estruturais nos estúdios envolvidos. Como o jogo recebia a contribuição de diversas equipas, como a DICE, que lidera a produção e cria a tecnologia Frostbite que serve de motor de jogo ou a Criterion que dá o seu input nos veículos e outros elementos de jogo. Agora, a EA criou uma nova identidade para a colaboração dos estúdios, ou seja, o Battlefield Studios, composto ainda pela Motive Studios e a Ripple Effect Studios. A Ridgeline Games, que foi encerrada em 2024, também contribuiu, nomeadamente para a campanha a solo. 

Motivada a limpar a má imagem que o jogo anterior deixou, foi o próprio Vince Zampella a liderar a produção de Battlefield 6, ele que é um veterano e líder da Respawn Studios de Apex Legends, mas que deixou o seu cunho em jogos como Titanfall, Call of Duty quando formou a Infinity Ward para a Activision. E se viajarmos ainda mais longe no tempo, criou o melhor Medal of Honor de todos os tempos, Allied Assault, quando ainda estava na 2015 a serviço da EA. Portanto, bons indícios para este novo capítulo de Battlefield, composto por uma campanha narrativa e claro, as batalhas intensas multijogador que os fãs da série adoram. 

Uma campanha pensada para reconquistar os fãs

A versão beta tinha dado boas indicações sobre a vertente online, mas a campanha, presente agora na versão final do jogo, é uma boa entrada para este universo de guerras modernas. É curta, composta por nove capítulos, não demorando mais que quatro ou cinco horas a finalizá-la. Mas as missões são grandes, com variações e reviravoltas, demonstrando alguns set pieces ao nível das campanhas de Call of Duty. 

A campanha centra-se num conflito atual, situado entre 2027-28, onde os países da NATO foram abandonando a organização, surgindo uma empresa militar privada chamada Pax Armata que pretende substituir a NATO como poder global. Os jogadores assumem a Dagger 13, uma equipa de elite de Marines, que tem de combater esse poder emergente. Isto significa missões em diversos locais do mundo, saltando entre diferentes protagonistas, mais uma vez, à semelhança de Call of Duty. 

Apesar da escala militar e do cenário geopolítico moderno, a narrativa mantém um tom claramente blockbuster, mais próximo de um filme de ação do que de um drama militar pesado. As personagens cumprem o seu papel funcional dentro da estrutura, são competentes, têm motivações simples e comunicam bem durante o combate, mas raramente se tornam memoráveis ou profundas. A história segue um ritmo direto, com alguns momentos de tensão bem conseguidos, mas o impacto emocional é limitado. Funciona sobretudo como motor para justificar as operações da Dagger 13 e para manter o jogador envolvido entre as missões, sem ambicionar grandes revelações ou camadas temáticas.

O novo jogo foi inspirado em Battlefield 3 e Battlefield 4, tendo assegurado um orçamento acima dos 400 milhões, que obrigou a Electronic Arts a ser vendida a um fundo árabe. Brincadeira… Ou não.

A campanha acaba por ser um tutorial de luxo para a experiência Battlefield. Não se tratam de cenários recordados dos mapas da componente multijogador: existem cut scenes, diálogos dramáticos e os níveis embora sejam lineares têm alguma profundidade de abertura. Obviamente que será aqui que vão ter um primeiro gosto às armas, alguns dos veículos e mecânicas das classes típicas, desde o médico ao engenheiro. Vamos controlar jeeps, tanques e motos de quatro rodas em algumas das missões.

Entre o espetáculo e as limitações técnicas

Quando se fala em IA em tudo o que poderia ser aplicado nos videojogos. Os estúdios continuam a ignorar o comportamento das personagens, tanto inimigos como companheiros são burros, ficam especados em muitas situações, sem reagir. Certos inimigos ao longe são implacáveis, mas no geral são carne para canhão, tornando a experiência mais fácil do que deveria ser, mesmo em dificuldades avançadas.

Ainda assim, estamos perante um passo gigante tecnológico nesta geração de Battlefield. É absurdo a forma como os elementos do cenário podem ser destruídos, desde edifícios que desmoronam, às paredes que parecem esferovite. O caos das missões é constante, numa experiência confiante e variada. Isso vê-se na sequência de  objetivos, com reviravoltas intrigantes, notam-se do dedo de Zampella na produção. 

O estúdio produziu cada missão como uma amostra de algumas mecânicas da componente multijogador, mas montados com cuidado, numa variedade de sequências, desde as perseguições com veículos, montar uma proteção de um local ou mesmo a missão cliché que é escoltar e proteger o presidente dos Estados Unidos. Os companheiros também curam, deixam munições, tal como nas classes da vertente multijogador. Existe algum sentido de camaradagem entre as personagens, com comunicações simples, mas eficazes nos combates, tais como anunciar que um sniper tombou ou um inimigo com bazuca. Podemos dar uma ordem simples de avançar e atacar os inimigos, que tem um cool down, que pode tornar os companheiros mais eficientes a derrotar a oposição. 

A quantidade de gadgets que os soldados carregam, como drones controláveis ou mísseis teleguiados, juntamente com as armas, há muito para explorar e divertir. Os modelos das armas são do melhor que vi num jogo do género, rivalizando com Call of Duty. 

Conclusão

Obviamente que esta campanha é apenas um aperitivo daquilo que melhor a série faz: a componente multijogador competitiva. E até aqui o estúdio meteu toda a carne no assador, com diversos modos de jogo, mapas e ainda o editor Portal, onde os jogadores podem criar mapas e modos de jogo. Esta análise é apenas focada na campanha a solo. Se procuras uma boa história militar, intensa, como os primeiros Call of Duty, Battlefield 6 cumpre o objetivo.

Halo: Campaign Evolved [Ligar API depois]

8

Pontos Positivos

  • Campanha sólida e bem estruturada
  • Tom narrativo de blockbuster
  • Destruição ambiental impressionante
  • Set pieces ao nível dos melhores Call of Duty
  • Boa integração das classes, gadgets e veículos
  • Direção de Vince Zampella nota-se na confiança do design
  • Variedade de cenários e protagonistas
  • Modelos de armas de excelente qualidade
  • Camaradagem funcional entre personagens

Pontos Negativos

  • IA fraca e inconsistente, tanto inimigos como aliados
  • Alguns momentos previsíveis, incluindo missões cliché
  • Dificuldade pouco desafiante
  • Campanha curta, quatro a cinco horas

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