Black Ops 7 é a prova que a série Call of Duty entrou num círculo de falta de identidade e confusão nas entregas anuais. No ano passado tivemos Black Ops 6, por isso seria de esperar que esta subsérie só regressasse daqui a três anos. A mistura de todos os estúdios da Activision envolvidos na produção revelam que o ciclo de produção de três anos já não está a funcionar. Ou assim parece…
Pensei que a série tivesse encontrado um bom rumo em Cold War de 2020 e Black Ops 6 do ano passado, o novo capítulo regressa ao passado para “tentar” corrigir os eventos das terríveis histórias que se sucederam a Black Ops 2, sobretudo as passadas no futuro.
É preciso esclarecer que Call of Duty atualmente é um hub de conteúdos e experiências distintas, ao gosto de cada fã, anualmente alimentado com novidades. O novo pacote adiciona uma nova vaga de zombies e muitos mapas para o conhecido formato competitivo. Mas também vão aceder a todos os jogos que tenham adquirido ao longo dos anos.
A campanha narrativa, que a meu ver é o pilar que segurava toda a restante experiência, este ano foi substituída por um formato que parece tudo, menos Call of Duty. Trata-se de um modo multijogador cooperativo, que apesar de dar para jogar a solo requer ligação permanente aos servidores, para que outros jogadores participem num sistema drop in, drop out.
Se estão à espera daquela típica campanha “boots on the ground”, numa experiência FPS cinematográfica, recheada de momentos “ohhh” dos seus set pieces montados com cuidado, neste título não vão encontrar. Este título é um misto de Gears of War com Just Cause, num formato cooperativo para quatro jogadores. Acumular pontos de experiência e desbloquear cosméticos e novas armas parece ser o principal foco, num sistema de progresso que cruza todos os modos de jogo.
Ao tentar acompanhar todas as tendências do mercado, com campanhas cooperativas, modos de extração, progressão partilhada, grind permanente e um hub de conteúdos que mistura tudo o que foi lançado na última década, Black Ops 7 dilui a sua própria essência. A identidade construída ao longo de anos, baseada em campanhas cinematográficas, ritmo controlado, personagens marcantes e set pieces memoráveis, é substituída por um híbrido genérico que parece existir apenas para alimentar sistemas de progressão e retenção.
A campanha pode ser jogada na primeira e terceira pessoa, o que o aproxima ainda mais a outro qualquer shooter genérico. As animações da personagem são básicas, nunca largando a arma para subir escadas e nem assume posição de proteção nos elementos no cenário, limitando-se a baixar, sem qualquer sistema de cobertura. Caso optes por jogar a solo, os companheiros da equipa não são assumidos pelos habituais bots. Estes limitam-se a comunicar via rádio, apesar de nas cut scenes estarem no mesmo local da missão. É um sistema básico e altamente preguiçoso, longe dos momentos épicos, da sensação de camaradagem dos bons títulos anteriores.
Mas o que mais me chocou foi o facto do jogo não ter pausa, porque assume que estamos numa sessão permanente online, e não tem save points a meio da missão. Se optarem por sair da partida, vão ter de começar a mesma de início, descobri ao ter cancelado a primeira missão quando julgava ter completado o segmento. Numa das missões, o jogo encravou-me num boss final, obrigando-me a fazer reboot ao jogo e por consequência começar de novo. Mesmo que estejam a solo, deixar o jogo inativo, para irem à casa de banho resulta em inatividade passados uns minutos e um bilhete de volta ao menu principal e recomeçar a missão.
Black Ops 7 aproveita a história do segundo capítulo, ignorando os jogos seguintes futuristas, recuperando o vilão Menendez, que se julgava morto. Também Frank Woods não consegue descansar na campa, numa história regada a, literalmente, ácidos e alucinógenos para justificar zombies na campanha principal. Truque que a Treyarch já tinha usado no passado.

Regressa David Mason, filho de Alex Mason, protagonista dos primeiros capítulos. E Mike Harper, um veterano fiel companheiro de Mason. Os atores Milo Ventimiglia e Michael Rooker regressam respetivamente aos papéis principais, agora acompanhados de Kiernan Shipka, que assume a nova personagem Emma Kagan.
Se esta campanha não tivesse o nome que tem, talvez disséssemos que seria um razoável shooter de ação cooperativo para jogar com amigos. Mas esta devia ser uma campanha de modo alternativo e não uma substituição do formato clássico. Já para não falar de que a história é terrível, as missões são repetitivas, com objetivos genéricos. Já para não mencionar o quão burros os inimigos são, sejam soldados, robots e drones que têm reações básicas, como se fossem carne para canhão, despejando dezenas de inimigos em cima de nós. É repetitivo e aborrecido, este sistema de ação.
A campanha, que deverá demorar entre as quatro e cinco horas para completar os seus 11 capítulos, serve para ser repetida vezes sem fim para o grind de cosméticos e armas. Mas é também a porta de entrada obrigatória para o endgame, um formato em mapa aberto, a cidade de Avalon, com missões que giram entre monitorizar as zonas de exposição às toxinas e eliminar fortalezas da Guild, a fação antagonista deste episódio.
O formato suporta 32 jogadores simultâneos, divididos em esquadrões de quatro, tendo como foco a cooperação tática e sobrevivência, semelhante a um típico extraction game. Sim, mais um extraction game, que estão claramente na moda. Se é bom? Considerem um extra a explorar.