O mundo conheceu Donkey Kong, Super Mario e até Pauline no mesmo jogo. Se as versões que temos atualmente destas personagens são as mesmas, isso já é outra conversa. Conhecido inicialmente como um antagonista de Mario, Donkey Kong ganhou relevo com o reboot que a Rare criou com Donkey Kong Country, adicionando-lhe uma história, criando família e todo o um subuniverso que serviram de base para todos os jogos da atualidade.
Depois dos jogos de plataformas 2D, como Donkey Kong Country Returns e Tropical Freeze, Bananza é o novo título da série em 11 anos. O jogo muda a perspetiva para 3D, em ambientes abertos à exploração, muito semelhante a Super Mario Odyssey e isso não é de admirar, porque se trata da mesma equipa de produção.
É sabido que a Shigeru Miyamoto só autoriza um novo jogo de uma série quando a equipa encontra uma mecânica-base como gancho, e em Bananza, a destruição dos cenários é esse elemento. Praticamente todos os cenários são destrutíveis, de uma forma estupidamente satisfatória. Neste jogo, uma versão modernizada de Donkey Kong e uma jovem Pauline que deixa simultaneamente os fãs maravilhados com o carisma, mas confusos pela falta de ligação às suas aparições anteriores. Será esta uma versão mais jovem daquela que apareceu em Super Mario Odyssey? A cidade de New Donkey é a mesma e em Bananza Pauline depara-se com o facto de não conseguir cantar em frente ao público. E DK é a sua terapia.
O novo jogo começa quando todas as bananas são roubadas por um grupo de Kongs vilões, que desaparecem em direção ao núcleo do planeta. Cabe ao famoso gorila recuperar, enfrentando os seus lacaios. Este é o mote para Donkey Kong explorar mais de 15 cenários, sempre a descer na direção do núcleo. Cada nível funciona como um pequeno sandbox, aberto à exploração, permitindo esmurrar pelas rochas e paredes para encontrar bananas escondidas, assim como outros colecionáveis, como diferentes tipos de fósseis e ainda ouro.
Apesar de cada área funcionar como um pequeno sandbox, o design dos níveis em Bananza revela uma estrutura surpreendentemente variada. Há zonas construídas em torno da verticalidade, outras focadas em corredores de destruição pura e algumas que apostam mais na navegação entre plataformas. A exploração recompensa a curiosidade: paredes que parecem decorativas escondem túneis, rochas que à primeira vista não têm utilidade revelam fósseis raros e certos biomas alteram por completo a forma como DK se movimenta, obrigando a usar transformações específicas. A destruição é uma ferramenta de progressão que abre caminhos, revela segredos e redefine o mapa, tornando cada nível uma espécie de puzzle ambiental que se desmonta à força dos murros.
As bananas servem para ganhar pontos a distribuir por algumas melhorias, tais como o aumento de energia e a expansão das habilidades, tornando-as mais eficazes.
O efeito de Pauline em DK é que quando ela canta uma certa melodia, previamente aprendida com os grandes mestres Monk, o gorila transforma-se, utilizando habilidades únicas. Uma das transformações é uma versão mais poderosa do gorila, aumentando a capacidade de destruição das paredes. Outra transforma-o numa zebra, ficando mais leve e rápida, usada sobretudo para deslocar-se em solos frágeis como o gelo. O pássaro permite planar entre as plataformas e uma serpente funciona como mola para saltar mais alto na vertical. O meu favorito, o elefante, suga tudo o que é destrutível e ainda forma esferas com esses elementos para arremessar.
As transformações são divertidas e podem ser usadas ao encher um medidor de ouro, que se encontra nas paredes das escavações. Considerando que existem centenas de fósseis e bananas para encontrar escondidas nos escombros, o jogo incentiva o jogador a partir tudo o que encontra à frente. E diga-se, é altamente satisfatório destruir o cenário, muito graças ao Rumble dos comandos joy-cons.