Fantasy Life i: The Girl Who Steals Time marca o regresso de uma das séries mais queridas da Level-5, recuperando o charme do clássico da Nintendo 3DS e expandindo-o com novas ideias, mais liberdade e um ritmo acolhedor que convida o jogador a perder-se durante horas. O jogo combina simulação de vida com RPG de ação de forma surpreendentemente harmoniosa, criando um formato de progressão viciante onde cada pequena tarefa contribui para algo maior.
O coração da experiência continua a ser o sistema de “Lives”, as profissões que definem o estilo de jogo. É possível começar como Paladino, enfrentando monstros e protegendo a ilha, mas rapidamente o jogo incentiva a experimentar outras vidas: tornar-te Mineiro para extrair minérios raros, Lenhador para recolher madeira de qualidade, Cozinheiro para preparar refeições que aumentam atributos, ou Alfaiate para criar equipamento cada vez mais poderoso.
Cada profissão tem o seu próprio conjunto de habilidades, missões e mecânicas, e a verdadeira magia surge quando nos apercebemos que todas se interligam. Por exemplo, podes explorar uma masmorra como Paladino, recolher materiais como Mineiro, regressar à vila para os transformar como Ferreiro e, finalmente, equipar-te com o que criaste para enfrentar desafios mais difíceis. Esta sensação de ciclo completo é uma das maiores forças do jogo.
A rotina diária é igualmente envolvente. A reconstrução da vila, numa ilha do jogador, oferece um sentido de progresso constante: escolher onde colocar casas, lojas ou estruturas especiais dá a sensação de estar a moldar o mundo à sua imagem. O ritmo é calmo, quase meditativo, e o jogo recompensa a repetição com pequenas melhorias que, acumuladas, criam um sentimento de evolução muito satisfatório. É o tipo de jogo em que dizes “só mais cinco minutos para acabar esta tarefa” e, quando dás por ti, passaram duas horas.
Fantasy Life i é pensado para um público muito específico: jogadores que procuram uma experiência relaxante, mas com profundidade suficiente para os prender durante dezenas de horas. É ideal para quem gosta de cozy games, para fãs de Animal Crossing que apreciam construção e rotina e para jogadores de RPGs que preferem progressão constante sem complexidade excessiva. Não tenta competir com títulos épicos ou sistemas densos, é um jogo para quem valoriza mundos acolhedores, ciclos de gameplay satisfatórios e a liberdade de viver as diferentes classes ao seu ritmo.
A exploração mantém o espírito leve mas aventureiro da série. O combate não pretende competir com RPGs de ação mais complexos, mas é competente e divertido, especialmente quando combinado com as habilidades das diferentes profissões. As áreas estão repletas de recursos, inimigos e pequenos segredos, incentivando a curiosidade. A narrativa, embora simples e com um tom “goofy”, surpreende pela sua substância: o mistério da rapariga que manipula o tempo e o passado da ilha criam um fio condutor que dá contexto às ações sem nunca se impor demasiado.
Visualmente, o jogo aposta num estilo colorido e acolhedor, que não impressiona tecnicamente mas funciona muito bem dentro do género. A banda sonora acompanha o ambiente relaxado, com temas suaves que reforçam a sensação de conforto. As melodias conseguem mesmo ter um tom épico, pautando a ação e exploração dos cenários.
O endgame é onde Fantasy Life i mostra a sua longevidade. Depois de terminares a história principal, abrem-se novas áreas, desafios mais difíceis, materiais raros e receitas avançadas para quem gosta de otimizar os equipamentos. Profissões como Caçador, Mago ou Ferreiro Mestre ganham uma nova vida quando começas a perseguir equipamento lendário ou a tentar maximizar cada estatística. Há também conteúdos opcionais que prolongam a experiência, desde bosses mais exigentes até colecionáveis e construções avançadas para a vila.

Há todo um mapa para explorar, em torno de um castelo, que acaba por ser conteúdo adicional não obrigatório, tal é a quantidade de conteúdo. E por falar em conteúdo, recentemente foi adicionado um DLC gratuito com um desafio num mapa que lembra as regras de um battle royal, repleto de tesouros para encontrar e oportunidades de grinding. Também existe um formato roguelike, onde se escolhe o caminho a seguir, tentando enfrentar um boss no final.
O jogo suporta um modo multijogador, podendo convidar jogadores para as aventuras em cooperativo ou para visitar a ilha personalizada, semelhante ao Animal Crossing.