God of War: Sons of Sparta é um metroidvania genérico

This is (not) Sparta!

Resumo deste artigo

A nova aventura em 2.5D procura adaptar a série ao formato metroidvania, mas raramente encontra uma identidade própria. É competente e nostálgica, mas nunca atinge a ambição que definiu God of War.

God of War: Sons of Sparta marca uma das mudanças mais radicais da série ao adotar um formato metroidvania em 2.5D, afastando-se da escala cinematográfica dos títulos mais recentes. A estrutura de mapa interligado, com backtracking e progressão baseada em habilidades, funciona bem dentro do género, mas rapidamente se percebe que o jogo segue demasiado a fórmula tradicional dos metroidvania, sem a criatividade e brutalidade que sempre distinguiram God of War.

Muitas áreas parecem previsíveis, com layouts pouco inspirados e uma verticalidade tímida, o que contribui para a sensação de que estamos perante um metroidvania competente, mas longe de ser inovador e com a qualidade de outros títulos produzidos pelos estúdios indie. 

A narrativa, por outro lado, é o elemento que mais curiosidade poderá oferecer. O jogo regressa às raízes espartanas de Kratos e volta a explorar a sua relação com Deimos, o irmão perdido que já tinha sido central em Ghost of Sparta. 

Esta ligação direta aos primeiros jogos cria um elo emocional com a era clássica e dá ao enredo um sabor nostálgico, reforçado pelo regresso de T.C. Carson, a voz original de Kratos, agora como narrador da aventura. A presença dele dá peso e autenticidade ao tom do jogo, quase como se Kratos estivesse a revisitar e reinterpretar o seu próprio passado. Mas esse é igualmente um dos poucos elementos que realmente liga este jogo à famosa série da PlayStation.

Metroidvania com skin de God of War

Apesar de ser um spin-off com elementos familiares, Sons of Sparta parece não saber exatamente para quem foi feito. Os fãs de God of War podem sentir falta da escala, da intensidade e da identidade visceral da série, enquanto os entusiastas de metroidvanias encontram uma experiência competente, mas pouco ousada face ao que o género já oferece. Esta indefinição acaba por prejudicar o jogo, pois não é suficientemente marcante para os seguidores da saga, nem inovador para se destacar entre os metroidvanias modernos.

No combate e na exploração, Sons of Sparta apresenta um conjunto de habilidades que misturam elementos clássicos com novas mecânicas adaptadas ao plano lateral. Entre elas, destacam-se as Sandálias de Hermes, que permitem impulsos rápidos, atravessar obstáculos e aceder a zonas antes inacessíveis, uma habilidade típica de metroidvania, mas com um toque reconhecível da série. 

Muito antes das armas de assinatura de Kratos, como as Blades of Chaos ou o Leviatã Axe, a única arma do adolescente é uma lança personalizável e o escudo espartano. Apesar de ser melhorada com novas pontas, cabos e bastão, conferindo habilidades ligadas ao fogo ou veneno, por exemplo, a jogabilidade é repetitiva nos ataques. Existem habilidades especiais que consomem as barras de energia e magia, incluindo um elástico, uma espada mágica ou um ramo que dispara projéteis de fogo. Compreende-se que muitas das armas de Kratos tenham ficado de fora e mesmo o tom visceral que os fãs estão habituados, mas trata-se de um jovem adolescente que está a dar os primeiros passos como guerreiro. 

Os bosses eram a esperança para dar alguma identidade ao jogo, mas raramente oferecem o brilho esperado. Encontramos criaturas como o Ciclopes de Fogo, que exige domínio das esquivas laterais, a Górgona das Profundezas, que transforma o ecrã num jogo de posicionamento constante, e até um confronto particularmente marcante com um Centauro Espectral, que combina ataques físicos com investidas mágicas. São batalhas divertidas, mas raramente épicas e isso pesa numa série que sempre viveu de confrontos memoráveis. Os bosses deveriam ser uma exigência nos encontros, mas nem isso se destaca nesta aventura morna. 

Faltam-lhes escala, teatralidade e aquele sentido de espetáculo que sempre transformou cada batalha num momento épico. Aqui, os bosses cumprem a função mecânica, mas raramente constroem uma tensão narrativa, nem criam aquela sensação de triunfo brutal que caracteriza as aventuras de Kratos. 

Pixel art não foi a escolha mais feliz da direção artística

Um aspeto que se nota desde o início é a escolha de uma direção artística pixel art, dando-lhe um aspeto indie e retro. O estúdio Mega Cat Studios tem uma longa lista de títulos, onde se destaca o excelente WrestleQuest, mas nenhum metroidvania. 

Pessoalmente teria escolhido um ambiente gráfico mais próximo da série, mais detalhado e premium, um pouco como a Ubisoft fez com Prince of Persia: The Lost Crown, que os fãs pudessem imediatamente reconhecer e conectar-se ao universo, mais facilmente aceitando o formato de plataformas. Desta forma, acredito que muitos nem lhe darão uma oportunidade. 

Infelizmente, alguns problemas de design tornam-se difíceis de ignorar. O mais evidente é a colocação de inimigos em plataformas estreitas, onde quedas acidentais se tornam mais frustrantes do que desafiantes. Colocar inimigos na beira dessas plataformas, muitas vezes impedindo que a nossa personagem suba parece igualmente alguma imaturidade no género. 

O combate perde por vezes o impacto quando a arena é tão limitada que a estratégia se resume a evitar cair. Além disso, o design geral dos níveis, embora funcional, raramente surpreende: biomas repetitivos, caminhos previsíveis e pouca ousadia visual reforçam a impressão de que o jogo poderia ser qualquer outro metroidvania, apenas com uma “skin” de God of War aplicada por cima.

Conclusão

God of War: Sons of Sparta é um spin-off sólido, com bons momentos e uma narrativa simples, mas ligada ao passado da série, não conseguindo escapar à sensação de ser um metroidvania genérico com elementos familiares. É competente, nostálgico e tecnicamente razoavelmente executado, mas falta-lhe a alma e a ambição que tornaram God of War uma das séries mais icónicas da indústria de gaming.

Halo: Campaign Evolved [Ligar API depois]

5

Pontos Positivos

  • Ligação forte ao passado da série, com o regresso de T.C. Carson na voz de Kratos
  • Narrativa simples mas emocionalmente eficaz
  • Algumas habilidades interessantes, como as Sandálias de Hermes
  • Execução técnica competente, sem grandes problemas de performance ou fluidez

Pontos Negativos

  • Identidade indefinida, sem saber se quer agradar aos fãs de God of War ou aos entusiastas de metroidvanias
  • Level design previsível
  • Direção artística pixel art pouco inspirada
  • Combate repetitivo
  • Bosses sem escala e longe dos confrontos épicos que definem a saga
  • Problemas de design frustrantes
  • Sensação geral de “metroidvania genérico com skin de God of War”

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