Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflection apresenta uma grande evolução dentro da sub-série da Capcom, consolidando-se como o capítulo mais ambicioso e refinado da saga. Desde o primeiro momento, percebe-se o salto de qualidade face aos seus antecessores: o sistema de combate foi redesenhado para se aproximar ainda mais da experiência da série principal, combinando a acessibilidade de um RPG por turnos com a profundidade estratégica que os fãs de Monster Hunter tanto apreciam.
Agora, cada batalha é um autêntico duelo tático, onde analisar partes frágeis dos monstros e escolher a arma certa pode ser a diferença entre a vitória ou uma derrota sem hipótese. O sistema clássico de “papel-pedra-tesoura” continua presente, mas é mais dinâmico e integrado. Este torna cada confronto mais tático e imprevisível, sobretudo contra criaturas mais poderosas, bosses e elder dragons. O jogo oferece agora uma maior facilidade na troca de armas, podendo logo escolher a habilidade numa única ação.
Desta vez temos a presença de companheiros da equipa, com quests individuais que servem de excelente conteúdo paralelo. Além disso, podemos escolher um para nos acompanhar, sendo que cada um tem uma build de armas e um monstie, tornando-se mais fácil nos combates. Ao longo da aventura vão poder desbloquear builds alternativas, assim como monsties para os mesmos, abrindo o leque de oportunidades. Desta forma, podemos criar um grupo mais dedicado ao ataque, com elementos mais focados no healing ou buffs, por exemplo.
A narrativa também dá um salto significativo e desta vez interpretamos um jovem Ranger, além de príncipe herdeiro ao trono, encarregado de proteger espécies ameaçadas de extinção. Um enredo que mistura ação e reflexão ecológica de forma surpreendentemente madura. A história é contada através de uma realização cinematográfica impressionante, com cutscenes ricas em detalhe e um voice acting de grande qualidade, capaz de transmitir emoção e peso dramático aos momentos centrais. Pela primeira vez, o protagonista tem voz, o que torna as interações mais naturais e fortalece a ligação com o jogador.
A história gira em torno de dois Rathalos gémeos, cada um com um chifre único assimétrico, assombrados por uma tradição antiga que diz que apenas um pode sobreviver. Esta nova aventura passa-se 200 anos após os eventos do segundo capítulo, mas ainda assim tem algumas referências, vivendo-se um ambiente de conflito político e moral entre os dois reinos. Por outro lado, o mundo vive um fenómeno de cristalização, que torna muitas das criaturas ferozes, além da ameaça constante de algumas espécies.
Essa corrupção marca também uma das novas atividades do jogo, o sistema de Habitat Restoration. Basicamente esta mecânica justifica a narrativa pela expansão dos cristais, a agressividade dos monstros ferais e dessa forma a destruição dos habitats naturais das criaturas. Assim, teremos de recuperar ovos das criaturas, chocá-los e devolver os monsties aos seus habitats. Há barras de progresso até ao nível S, que significa que passam a ver mais monstros das espécies que libertarem.
Para tal, têm de derrotar o Feral Monster da região, combates mais poderosos que os habituais. Quando derrubado dá acesso a um acampamento de ranger, ativando o sistema de restauração de habitats na região. Há sempre cinco espécies fixas e cinco opcionais para o jogador preencher, considerando que existem mutações. Ou seja, certas criaturas quando libertadas ativam versões mutadas, normalmente mais poderosas. Pensem numa espécie de evolução de Pokémons. Esta atividade, distribuída pelos quatro cenários principais da aventura, adiciona muitas horas de longevidade ao jogo, além de ser bastante divertido de o fazer.
Além disso, o sistema de covis das criaturas é agora bem mais simples. Nos jogos anteriores eram dungeons com design aleatório. Agora mal entram têm acesso imediato aos ovos. Uma simplificação bem-vinda, até porque precisam de dezenas ou centenas de ovos para a mecânica das espécies em perigo.

Ainda no que diz respeito às criaturas, o sistema de genes foi melhorado, sendo mais fácil de passar genes de umas para as outras. Nos jogos anteriores, sempre que passavam um gene a criatura era destruída, mas não neste jogo. Podem assim extrair mais que um gene e ainda assim ficarem com as criaturas, para as libertar nos seus habitats, por exemplo. O jogo convida assim à experimentação e criação de builds únicas das criaturas, tornando-as mais fortes e poderosas para os combates finais, sobretudo contra os feral e dragões.
Por outro lado, o sistema de envio de Monsties em expedições automáticas, recebeu agora menos destaque, mas a decisão parece intencional: o foco está claramente em envolver o jogador na exploração ativa, nos combates e nas relações com as criaturas e personagens do mundo.
O editor de personagem é outro ponto alto, extremamente completo e repleto de opções de personalização. A liberdade visual e estética permite criar um herói verdadeiramente único, reforçando o sentimento de identidade durante a jornada.
Visualmente, Monster Hunter Stories 3 é deslumbrante. Os gráficos atingem um novo patamar dentro da série, com ambientes vibrantes, modelação detalhada e animações fluidas que dão vida a cada criatura e cenário. As sequências cinematográficas exibem um cuidado artístico notável, tornando esta entrada não apenas um jogo, mas uma verdadeira celebração do universo Monster Hunter.
De notar ainda, que o jogo introduz uma lista de monsties para criar e enfrentar cada vez maior. A série foi atualizada com algumas espécies que se estrearam em Monster Hunter Wilds, nomeadamente os Ray Dows e os Chadakabra. Preencher a Monsterpedia é outra das diversões do jogo, uma espécie de Pokédex, onde é também necessário encontrar pistas sobre as criaturas e habitats para expandir o conhecimento dos mesmos.