Splatoon Raiders pinta as masmorras repletas de tesouros

A lei da tinta.

Ficha de jogo

Resumo deste artigo

Splatoon Raiders marca uma viragem inesperada na série, trocando a competição frenética por uma aventura a solo focada na exploração, loot e progressão constante, com raids cooperativas, armas personalizáveis e dungeons desafiadoras.
Splatoon Raiders marca uma viragem inesperada na série, trocando a competição frenética por uma aventura a solo focada na exploração, loot e progressão constante, com raids cooperativas, armas personalizáveis e dungeons desafiadoras.

Splatoon é uma das mais recentes propriedades intelectuais da Nintendo assentando numa vertente competitiva, colocando equipas de jogadores em arenas. Mas os jogos apresentaram um twist original: invés de tiros para eliminar adversários, ganha a equipa que consegue pintar mais área do cenário. É possível eliminar os adversários temporariamente, mas para fazê-los perder tempo na proteção da sua área conquistada. 

O novo projeto deste universo chama-se Splatoon Raiders, um projeto que mantém toda a atmosfera e personagens que já são altamente reconhecíveis, mas trata-se de uma experiência essencialmente a solo. Ou melhor, permite jogar as missões em formato multijogador cooperativo. Essa mudança de foco é importante porque altera a identidade da experiência, pois dispensa o confronto direto entre jogadores, colocando o peso na exploração dos níveis, no progresso da campanha e sobretudo, na procura de melhor equipamento.

Dungeon Crawler colorido

O ponto de partida é muito simples e eficaz. Partimos da base e escolhemos o local de exploração do próximo tesouro, avançando depois por uma ilha ou cenário até ao objetivo final. A partir daí, o jogo estrutura-se como uma espécie de RPG de exploração e repetição de raids (como o título indica), num grinding constante, mas divertido. O objetivo é entrar numa zona, recolher recursos, enfrentar inimigos e regressar à base. O conceito parece a de um Extraction, mas sem a sua rigidez. Mesmo que percam, a experiência e loot amealhado mantém-se, não sendo assim penalizador. Além disso encoraja a experimentar áreas mais difíceis e tentar fazer algo, não havendo uma forma errada de avançar na campanha. 

Tudo o que for recolhido é utilizado pela personagem, melhorando armas e gadgets para ataques principais, secundários e especiais. À semelhança dos jogos do género dungeon crawlers, como Diablo ou Path of Exile, as idas e voltas na exploração e atualização dos equipamentos e atributos é toda a essência de Splatoon Raiders. 

Logo no início, podemos escolher entre três tanques de tinta diferentes, o que ajuda a definir o estilo de jogo. O Speed Tank privilegia mobilidade e evasão, o Power Tank é pensado para enfrentar grupos de inimigos com mais agressividade e o Tactical Tank introduz uma arma estacionária de tinta que ataca automaticamente os adversários. Esta escolha inicial já cria uma sensação de identidade tática, porque não estamos apenas a avançar com um avatar genérico, mas a moldar a nossa abordagem desde cedo. Além disso, podes sempre mudar a build da personagem e até criar diferentes perfis para experimentar as melhores abordagens para cada situação. 

A progressão também parece estar bem ligada ao sistema de melhorias. É possível melhorar armas, adicionar itens para as tornar mais eficientes e poderosas, e também reforçar a base para aumentar atributos da personagem, como a capacidade do tanque de tinta. Para isso, é necessário recolher materiais ao longo das expedições, o que reforça a ideia de que cada missão tem valor mesmo quando não é concluída da forma mais eficiente. O jogo incentiva constantemente a exploração e o regresso à base, quase como um ciclo de extração e preparação para a próxima incursão.

Durante as raids, a personagem ganha experiência e sobe de nível, enquanto livros encontrados nas ilhas também contribuem para melhorar habilidades. Além disso, há várias opções de evolução direta, como aumentar a barra de HP, o dano da arma, o dano dos gadgets ou até o número de espaços disponíveis para as gemas a equipar nos gadgets. Cada arma tem a sua própria barra de slots, podendo equipar até 9 espaços, e os gadgets podem ocupar vários slots, embora seja possível otimizar e aumentar os espaços no workbench para tornar o arsenal mais flexível e poderoso. Tudo isto cria uma progressão muito visível, em que sentimos que a personagem realmente vai ficando mais forte quanto mais missões participa. 

Outro elemento interessante é a forma como o jogo organiza a coleção e o incentivo ao grind. Na base, é possível consultar documentos, réplicas e listas de inimigos, com os Salmonids Research a funcionarem como uma espécie de monsterpedia. À medida que pesquisamos mais inimigos, recebemos créditos, o que incentiva a repetir combates várias vezes.

Como os confrontos são normalmente contra hordas, há sempre oportunidade para avançar nessa pesquisa, e isso dá uma motivação adicional para revisitar zonas já conhecidas e continuar a farmar, sobretudo no contexto cooperativo online. Até porque cada missão lista o tipo de inimigos que vais encontrar, o que ajuda nos planos de farming das espécies. 

A jogabilidade é a mesma dos jogos originais, mas num contexto em que temos de enfrentar dezenas de inimigos, gerando-se o caos, com tinta colorida a saltar por todo o lado. 

O mapa geral também parece ter uma função importante na estrutura do jogo, já que permite escolher missões e consultar o nível de dificuldade de cada ilha. Há ainda informação sobre o nível da personagem necessário para tornar a progressão mais fácil, bem como indicação de se o tesouro já foi recolhido. Isto dá ao jogador um melhor controlo sobre o grind, porque permite decidir onde é mais vantajoso voltar para recolher materiais, tesouros ou progresso específico. Há ainda locais secretos, encontrados com bússolas, objectos que são recolhidos nas missões normais. 

Em termos de cooperação, o jogo também parece apostar forte na componente social. É possível jogar com até três amigos online, fazendo raids em equipa para encontrar loot, o que torna o grind mais apelativo e dinâmico. Além disso, existe um sistema cooperativo que incentiva, e até obriga, a ajudar os outros, com um limite para pedir ajuda que só pode ser accionado de meia em meia hora, e com recompensas associadas a esse comportamento. Esse detalhe reforça a ideia de comunidade e apoio mútuo, mesmo dentro de uma estrutura centrada na repetição e na progressão. O cooldown de espera é a parte limitadora, além de que é impossível manter o grupo para continuar em missões. 

A diversidade de armas também parece ser um dos pontos mais fortes. Há armas com estrelas de qualidade, capacidade de dano e outras estatísticas, e cada uma oferece formas diferentes de jogar. Algumas privilegiam grande dano, como caçadeiras ou metralhadoras de tinta, enquanto outras seguem estilos mais próximos dos jogos anteriores, como pincéis para combate corpo a corpo ou rolos de compressão que avançam sobre tudo. Isso cria variedade nas abordagens, permitindo até pensar em composições de grupo mais táticas, com elementos de frente e retaguarda, como quem monta uma “santa trindade” de um RPG, composto por um tanque, suporte e sniper.

Além disso, os itens apanhados nas expedições, incluindo as réplicas, podem ser usados para oferecer upgrades às armas, o que reforça ainda mais a ligação entre exploração e evolução. O jogo está constantemente a empurrar-nos para novos níveis, mas também a voltar a explorar dungeons antigas para farmar materiais mais valiosos. Essa lógica torna o loot um elemento central, especialmente quando o jogo recompensa o esforço com melhorias reais na personagem, fazendo com que zonas antes difíceis se tornem progressivamente mais acessíveis.

A estrutura dos níveis também ajuda a variar a experiência. Em alguns casos, temos de descer por vários andares até ao boss; noutros, basta explorar a ilha à procura do tesouro direto; há missões de sobrevivência em que é preciso recolher ovos dos inimigos até encher uma barra antes que o tempo acabe; e há ainda tarefas em que se parte de um grande diamante para mineração, sendo necessário recolher os menores espalhados pela ilha primeiro. Os cenários são variados, mas o loop do jogo pode tornar-se repetitivo a médio prazo, aproximando-se dessa lógica de ciclos típicos dos jogos de extraction ou dungeons crawlers.

Splatoon Raiders aposta numa experiência de progressão muito sólida, em que o loot, a melhoria da personagem e a cooperação funcionam como motores principais. O loot no final de uma missão difícil é gratificante, pelo esforço em completar a missão. O jogo é bastante divertido e viciante, levando-nos ao pensamento de “só mais uma masmorra”, até se terem passado um par de horas.  

E mesmo depois dos créditos, o jogo continua a abrir espaço para desafios maiores, com três masmorras de elevada dificuldade e o objetivo de recuperar itens lendários, mantendo viva a lógica de exploração, repetição e recompensa que define toda a proposta. A campanha não deverá demorar mais que umas 12 a 15 horas a concluir, mas o jogo tem muitos conteúdos e incentivos para continuarmos as expedições.

Conclusão

Splatoon Raiders aposta numa experiência de progressão muito sólida, em que o loot, a melhoria da personagem e a cooperação funcionam como motores principais. O loot no final de uma missão difícil é gratificante, pelo esforço em completar a missão. O jogo é bastante divertido e viciante, levando-nos ao pensamento de “só mais uma masmorra”, até se terem passado um par de horas.

E mesmo depois dos créditos, o jogo continua a abrir espaço para desafios maiores, com três masmorras de elevada dificuldade e o objetivo de recuperar itens lendários, mantendo viva a lógica de exploração, repetição e recompensa que define toda a proposta. A campanha não deverá demorar mais que umas 12 a 15 horas a concluir, mas o jogo tem muitos conteúdos e incentivos para continuarmos as expedições.

Splatoon Raiders pinta as masmorras repletas de tesouros

7

Pontos Positivos

  • Abordagem diferente na série, com foco na experiência a solo e cooperação
  • Ciclo de exploração, regressar à base e melhorar equipamento
  • Sistema de progressão profundo, com melhorias para armas, gadgets
  • Sensação de evolução real da personagem
  • Variedade de armas e estilos de combate dá diversidade à jogabilidade
  • End game com masmorras difíceis e itens lendários

Pontos Negativos

  • Estrutura dos níveis pode tornar-se repetitiva a médio prazo
  • Demasiado grind
  • Limite para pedido de ajuda no co-op online aleatório
  • Repetição de formatos de missão, apesar da variedade de objetivos