A nova versão de Star Fox para a Nintendo Switch 2 foi desenvolvida pela Velan Studios, um estúdio fundado em 2016 pelos irmãos Guha e Karthik Bala, fundadores da Vicarious Visions (Guitar Hero). A Velan tornou-se conhecida por projetos experimentais e focados em realidade mista, como Mario Kart Live: Home Circuit, o game as a service Knockout City, Hot Wheels: Rift Rally, Bounce Arcade e Midnight Murder Club. São jogos que parecem bem diferentes dos valores das principais joias da coroa da Nintendo, mas ainda assim, a escolhida para o remake de Star Fox. De salientar a abertura da editora nipónica em colocar muitas das suas séries principais em produção por terceiros, algo que deveria servir como boas práticas no geral, pela indústria.
Para este remake, a equipa reconstruiu o jogo de raiz, criando um motor gráfico novo, sequências narrativas inéditas e uma apresentação audiovisual completamente modernizada. O objetivo foi reintroduzir Fox McCloud e a sua equipa a uma nova geração, mantendo a estrutura clássica da série mas atualizando todos os aspetos técnicos e visuais. A questão que se coloca é como é que a Nintendo pretende convencer os fãs a jogar a mesma história pela quinta vez, em diferentes gerações, sem a coragem necessária de continuar a narrativa em novos capítulos.
Esta nova versão baseia-se diretamente em Star Fox 64, lançado em 1997 para a Nintendo 64, que por sua vez já era uma adaptação do Star Fox original de 1993 da SNES. A história foi repetida ao longo de cinco jogos diferentes: o original de SNES, Star Fox 64 no N64, Star Fox 64 3D na Nintendo 3DS, Star Fox Zero na Wii U e agora Star Fox na Switch 2.
Obviamente e tal como confirmado por Miyamoto numa entrevista, o novo jogo surge após a ideia da inclusão de Fox no filme Super Mario Galaxy. O mesmo para o mais recente jogo de Yoshi. Isso mostra uma Nintendo sempre atenta às oportunidades de relacionar os seus produtos.
Em todas estas versões, a campanha segue a mesma premissa: Andross ameaça o Sistema Lylat, o General Pepper convoca a equipa Star Fox e Fox McCloud lidera a missão até ao planeta Venom para derrotar o vilão. A nova versão da Velan acrescenta um prólogo sobre James McCloud, pai de Fox, dando maior profundidade ao seu destino, embora os fãs ainda hoje têm esperança que este não esteja morto. As novas cinemáticas aprofundam as personagens, mas sem se desviarem um milímetro do mesmo arco narrativo dos originais.
O estúdio podia ter sido mais ambicioso e incluir, por exemplo, novos planetas e missões para completar esta versão, mas provavelmente a Nintendo foi pouco flexível. O resultado é o mesmo de sempre, uma campanha que não dura mais que duas horas. O jogo tem um formato que convida a repetir várias vezes a campanha, concluir desafios para conduzir a história por bifurcações, oferecendo novos planetas que não estão na primeira experiência. Mas trata-se exatamente da mesma estrutura de todos os anteriores. Isso prolonga a longevidade em mais algumas horas, mas nada que talvez justifique este novo regresso.
Embora a duração seja semelhante às versões anteriores, a reimaginação visual e as novas cutscenes tornam a experiência mais cinematográfica, sem alterar a estrutura fundamental da jornada pelo Sistema Lylat.
O jogo oferece algumas novidades com este remake. Para começar, a jogabilidade foi refinada, com a nave mais leve e com maior resposta nos controlos, significando um combate aéreo mais fluido e preciso. É uma pena, mais uma vez, que tenha havido falta de ambição em criar dog fights mais intensos e imersivos. As missões são bastante curtas e pouco desafiantes, na dificuldade média. Há tantos jogos, sobretudo indies, que conseguem equilibrar os elementos narrativos com missões elaboradas tendo como base os combates espaciais. E Star Fox está preso no tempo, num loop muito simples, fácil e com uma duração semelhante a uma máquina arcade.
Uma das novidades mais relevantes é o suporte ao modo rato da Switch 2, que permite controlar a mira com uma maior precisão. Ainda assim, depois de experimentar voltei aos controlos tradicionais, pois senti que controlar a nave com analógico e a mira com o rato é confuso. Mas pode ser uma questão de habituação. No geral a experiência dos controlos está bastante refinada e tudo no ecrã mexe de forma fluída.
A estrutura do jogo mantém os mesmos pilares de Star Fox 64, com níveis lineares on rails, áreas mais abertas para combates livres e a utilização de diferentes veículos, como a Arwing, Landmaster e a Blue Marine.
A Velan Studios reconstruiu todos os ambientes da campanha com detalhe moderno, incluindo cenários como Corneria em chamas ou as paisagens geladas de Fichina. As personagens foram redesenhadas com uma estética atualizada e a banda sonora foi totalmente regravada com uma orquestra completa. As novas cutscenes expandem a história e dão maior profundidade às personagens, contribuindo para que o jogo tenha uma apresentação comparável a um blockbuster.

O multijogador é uma das áreas onde esta versão mais se distingue das anteriores. O jogo inclui suporte cooperativo local e online, permitindo que vários jogadores participem na campanha ou em missões específicas. O sistema Game Share facilita jogar com amigos mesmo que não tenham uma cópia do jogo. Além disso, foram adicionados modos competitivos 4×4, com equipas Fox e Wolf a competir em objetivos como Capture Zone, Meteoroid Smash e Cargo Heist. Estes modos oferecem longevidade adicional e tornam o jogo mais completo do que as versões anteriores, que eram tradicionalmente focadas apenas na campanha.